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Glossário de termos budistas

Glossário de termos budistas

Nota: palavras de origem sânscritas são indicadas por (S); Páli por (P); chinesas por (C); vietnamitas por (V); japonesas por (J).

A

  • abhidharma (S): sistematização da filosofia e psicologia budista, conforme apresentada no Abhidharmapitaka do Cânone Páli; primeira das “Três Cestas” dos textos budistas, ou Tripitaka.
  • agregados: os cinco elementos que compõem um ser humano, conforme ensinado pelo Buda; ver skandhas.
  • anapanasati (P): significa “atenção plena ao inspirar e ao expirar”.
  • anatman (S): significa “sem eu” ou “não-eu”; ausência de existências independentes que sejam separadas de tudo o mais que existe.
  • anitya (S): significa “impermanência”; de acordo com o Buda, tudo é impermanente.
  • arhat (S): significa “alguém que é digno de nosso respeito e apoio”; um adepto do budismo que superou todas as aflições, se iluminou.
  • atenção plena (S: smrti): a energia para estarmos presentes e testemunharmos profundamente tudo o que acontece neste momento, cientes do que ocorre dentro e fora de nós.
  • atman (S): o eu; ensinamento básico dos sacerdotes da Brahman indianos, que Buda refutou.
  • Avalokiteshvara (S): também escrito como Avalokita; o Bodhisattva da Compaixão; Bodhisattva da Escuta Profunda; chamado de “Quan The Am” no Vietnã, “Kwan Yin” na China, e “Kannon” no Japão.
  • avidya (S): significa “a falta de luz”; ignorância.

B

  • bodhicitta (S): significa “mente de iluminação”; a mente de amor; desejo mais profundo e íntimo de alcançar a iluminação e trabalhar para o bem-estar de todos os seres.
  • bodhisattva (S): significa “ser iluminado”; alguém no caminho para o despertar que se compromete a renunciar à completa iluminação até que ajude todos os outros seres a atingirem-na.
  • brahmaviharas (S): significa “moradas dos deuses”; os quatro estados mentais sublimes associados ao caminho da prática; também conhecido como “As Quatro Mentes Imensuráveis” (ver maitri, karuna, mudita, e upeksa).
  • Buda (S): palavra vinda da raiz sânscrita buddh-, “despertar”; refere-se ao totalmentete iluminado.
  • natureza búdica (S: Buddhata): a semente da atenção plena e da iluminação, presente em cada pessoa, que representa nosso potencial para nos tornarmos totalmente despertos.
  • Buddhanusmrti (S): lembrança do Buda; refletir sobre as dez qualidades do Buda; visualizar suas marcas de beleza, calma e felicidade, ou evocar seu nome.
  • budismo engajado: termo cunhado no Vietnã que enfatiza a ação baseada na consciência.
  • budologia: estudo da vida do Buda.

C

  • Chán (C): pronúncia do caractere chinês “禪”; o termo Chán deriva de “禪那” (chánnà), transliteração de palavra sânscrita dhyana: meditação; nome dado à escola Mahayana de budismo chinesa que se originou durante a dinastia Tang e deu origem ao Zen Budismo, como conhecido contemporaneamente; ver Zen.
  • Cinco Treinamentos da Atenção Plena: formas corretas de ação descritas por Thich Nhat Hanh com base nos cinco preceitos ensinados por Buda.

D

  • dana (S): generosidade; doação.
  • Dharma (S): significa “a lei”; o caminho da compreensão e do amor ensinado pelo Buda.
  • Dharmakaya (S): significa “o corpo do Dharma”; o corpo dos ensinamentos do Buda; mais tarde, passou a significar o glorioso e eterno Buda, que sempre expõe o Dharma.
  • dhyana (S): meditação ou prática.
  • dukkha (S): mal-estar ou sofrimento; a primeira das Quatro Nobres Verdades; ver Quatro Nobres Verdades.

G

  • gatha (S): verso ou poema de atenção plena; usado na prática para promover a plena consciência.

H

  • Hinayana (S): significa “o veículo menor”; refere-se às escolas budistas do sul da Ásia, incluindo a escola Theravada, baseada no ideal Arahant, que enfatiza a liberação pessoal; o termo possui conotação pejorativa, tendo caído em desuso.

I

  • iluminação (S: bodhi): despertar; a iluminação é sempre iluminação de algo.
  • interser: ensino budista de que nada pode existir por si só, que tudo no cosmos deve “interexistir” com tudo o mais.

K

  • karma (S): a lei natural de causa e efeito.
  • karuna (S): compaixão que ajuda a aliviar o sofrimento; o segundo das Quatro Brahmaviharas; ver Quatro Brahmaviharas.
  • kinh hanh (V): meditação caminhando em ambiente fechado, em plena atenção; geralmente ocorre no local de prática durante a prática formal da manhã ou da noite.
  • Ksitigarbha: Bodhisattva do Ventre da Terra, patrono dos viajantes, dos recém-nascidos e dos não-nascidos (conhecido no Japão como “Jizo”).

L

  • laksana (S): marcas, aparências, e aspectos fenomenológicos da realidade
  • Linji: escola de budismo fundada pelo mestre Zen Linji Yixuan na China, durante o século 9; escola da qual deriva a vertente de Zen budismo vietnamita, na qual Thich Nhat Hanh foi treinado.

M

  • Mahayana (S): significa “o grande veículo”; escolas budistas do Norte da Ásia, que baseiam seus ensinamentos no ideal do bodhisattva, enfatizando a liberação de todos os seres sescientes.
  • Maitreya (S): o futuro Buda, o Buda do amor.
  • maitri (S): amor; aquilo que traz alegria; a primeira das Quatro Mentes Imensuráveis (ou Brahmaviharas); ver Quatro Mentes Imensuráveis.
  • manifestação (S: vijnapti): quando as condições são suficientes para que tudo aquilo que constitui algo se reúna de uma forma particular que conseguimos entender.
  • Manjushri (S): o Bodhisattva da Compreensão; geralmente retratado empunhando uma espada flamejante que perpassa o dualismo e o pensamento conceitual.
  • mantra (S): frase formulaica de valor espiritual, usada repetidamente; no budismo, geralmente associado à prática tântrica e muitas vezes conectado a uma divindade específica.
  • meditação caminhando: caminhar atentamente, ciente de cada passo e de cada respiração, da maneira como o Buda andou.
  • mudita (S): alegria; a terceira das Quatro Mentes Imensuráveis (ou Brahmaviharas); ver Quatro Mentes Imensuráveis.
  • mudra (S): literalmente “selo”; o selo de aprovação de uma divindade com a qual um praticante se identifica, tornado visível em um gesto de mão.

N

  • não-dualidade: a natureza não-separada (“vazia”) de todos os fenômenos.
  • Nirmanakaya (S): o corpo de transformação do Buda Shakyamuni.
  • Nirvana (S): extinção de ideias, conceitos, e do sofrimento com base em ideias e conceitos; a dimensão verdadeira da realidade.
  • Nobre Caminho Óctuplo: a Quarta Nobre Verdade ensinada por Buda; práticas capazes de nos libertar do samsara e nos fazer alcançar o Nirvana.

O

  • Ordem do Interser: uma ordem budista socialmente engajada, fundada por Thich Nhat Hanh no Vietnã em 1964; também chamada de “Ordem Tiep Hien” e de “Comunidade Central”; abreviada como “O.I.”.

P

  • Páli: língua na qual foi escrito o Cânone Páli (ou “Tripitaka”), a mais antiga coletânea de textos budistas.
  • Portais do Dharma: as 84.000 portas de entrada para a corrente de ensino e iluminação do Buda.
  • prajna (S): compreensão, sabedoria.
  • Prajnaparamita (S): significa “compreensão que foi além”; popular e importante literatura budista Mahayana desenvolvida nos primeiros anos da Era Comum, chamada de “Mãe de Todos os Budas”.
  • prática (S: citta bhavana): cultivar a mente e o coração.
  • preceitos (S: sila): regras ou princípios que prescrevem um determinado curso de ação ou conduta; diretrizes oferecidas pelo Buda para nos proteger e nos ajudar a viver em plena consciência; veja Treinamentos.

Q

  • Quan The Am (V): nome vietnamita para Avalokiteshvara (pronuncia-se “Quan Tái Am”); ver Avalokiteshvara.
  • Quatorze Treinamentos da Atenção Plena: refinamento moderno dos tradicionais preceitos de um bodhisattva feitos por Thich Nhat Hanh; base da Ordem do Interser.
  • Quatro Nobres Verdades: verdades ensinadas pelo Buda durante seu primeiro discurso, que compreendem: a realidade do sofrimento; a realidade da origem do sofrimento; a realidade do fim do sofrimento; o caminho para o fim do sofrimento.
  • Quarenta Princípios de Plum Village: lista de princípios escritos por Thich Nhat Hanh para serem a base dos ensinamentos e das práticas de Plum Village e dos Treinamentos da Consciência.

R

  • reencarnação: renascimento da alma em outro corpo; um renascimento em outra forma, uma nova personificação; não aplicável ao budismo; diferente do conceito budista de renascimento.
  • renascimento: no budismo, o renascimento se refere à compreensão de que as ações de uma pessoa levam a uma nova existência após sua morte, em um ciclo infinito chamado samsara.
  • Rinzai: vertente do Zen Budismo no Japão que remonta ao mestre chinês Linji, do século 9.
  • samadhi (S): concentração; um componente importante e também resultado da prática de meditação.

S

  • Samantabadhra (S): o Bodhisattva “sempre bom”; o Bodhisattva da Grande Ação.
  • samatha (S): parar, acalmar, tranquilizar; o primeiro aspecto da meditação budista.
  • Sambhogakaya (S): um dos três corpos do Buda de acordo com o Budismo Mahayana; o corpo de êxtase ou de alegria.
  • samsara (S): ciclo de nascimento e morte.
  • Sangha (S): significa “indivisível” comunidade de prática budista composta por monges, monjas e leigos; ver Três Jóias.
  • sânscrito: língua clássica indiana, hoje em desuso, na qual a maioria dos sutras budistas Mahayana foram registrados.
  • Shakyamuni (S): nome dado ao Buda após sua iluminação; significa “o sábio do clã Shakya”.
  • Siddhartha Gautama (S): nome de nascimento de Buda, que viveu nos séculos 6 e 5 AEC.
  • sila (S): moralidade ou preceitos; as diretrizes éticas associadas à prática.
  • skandhas (S): os cinco agregados que compõem um ser humano, conforme os ensinamentos do Buda: forma, sentimentos, percepções, estados mentais e consciência; também conhecidos como cinco agregados.
  • Soto: uma vertente do Zen Budismo trazido ao Japão pelo mestre Dogen por volta do ano 1244.
  • sunyata (S): vazio; esvaziado de um eu individual ou separado; ver anatman e interser.
  • sutra (S): significa “fio”; uma narrativa das escrituras budistas, especialmente um texto tradicionalmente considerado como um discurso do Buda ou de um de seus discípulos.
  • Suttapitaka (P): discursos; a segunda das Três Cestas das Escrituras Budistas ou Tripitaka.

T

  • talidade (S: tathata): a verdadeira natureza das coisas, ou realidade última.
  • tathata (S): significa “talidade”; ver talidade.
  • Tathagata (S): significa “aquele que vem da talidade” ou “aquele que retornará à talidade”; um epíteto do Buda.
  • tathagatagarbha (S): significa “ventre do Tathagata”; a semente da atenção plena, iluminação e compaixão que está presente em cada um de nós.
  • Terra Pura: uma terra ideal para praticar a compreensão e a bondade amorosa sob a orientação de um Buda.
  • Thay (V): palavra vietnamita para “professor”, usada no Vietnã para se referir aos monges budistas que ensinam o Dharma; geralmente se refere a Thich Nhat Hanh quando usado nas Sanghas de Plum Village
  • Theravada (P): significa “escola dos mais velhos”; uma das dezoito escolas do budismo inicial, a mais presente hoje no sul e sudeste da Ásia.
  • Thien (V): palavra vietnamita para “Zen”, referindo-se ao Zen Budismo.
  • Tiep Hien (V): o nome da ordem fundada por Thich Nhat Hanh em 1964 (também conhecida como Ordem do Interser); Tiep significa “estar em contato com” e Hien significa “fazer-se presente aqui e agora”.
  • Treinamentos: no contexto da tradição de Plum Village, refere-se aos Cinco ou aos Quatorze “Treinamentos da Atenção Plena”; coletâneas de diretrizes adaptadas por Thich Nhat Hanh dos preceitos budistas clássicos para guiar a prática diária; ver Cinco Treinamentos da Atenção Plena e Quatorze Treinamentos da Atenção Plena.
  • Três Joias: Buda, Dharma e Sangha; também conhecido como “Três Refúgios”.
  • Tripitaka (S): os três “cestos” das escrituras budistas, divididos em Suttapitaka (discursos), Abhidharmapitaka (análise e psicologia budista) e Vinaya (regras que regem a prática monástica).

U

  • upeksa (S): equanimidade; a quarta das Quatro Mentes Imensuráveis (ou Brahmaviharas); ver Quatro Mentes Imensuráveis.

V

  • Vairochana (S): nome do Dharmakaya de Buda; personificação do sunyata.
  • Vajrayana (S): “Caminho do Diamante” ou “do Trovão”; uma variante do caminho Mahayana associada especialmente às formas tibetanas e tântricas de prática budista.
  • védico: relacionado aos Vedas, os escritos sagrados do povo ariano, posteriormente considerados canônicos pelo hinduísmo
  • Vinaya (P, S): regras que governam a prática monástica; a terceira das “Três Cestas” das escrituras budistas, ou Tripitaka.
  • vipassana (P): compreensão, insight; contemplação profunda; o segundo aspecto da meditação budista.

Z

  • Zen (J): escola do Budismo Mahayana que enfatiza a meditação como sua prática primária; o termo Zen deriva da palavra chinesa Chán, originada da palavra sânscrita dhyana, meditação.

Glossário elaborado a partir das definições presentes no Manual de Prática da Comunidade do Interser, do Reino Unido, e do Dicionário Princeton de Budismo.